Síndrome da Hipermobilidade Articular e TEA
Nem tudo é psicológico. Às vezes, o corpo também está pedindo para ser escutado. Quando autismo, dor, fadiga e hipermobilidade aparecem juntos, vale investigar com mais cuidado.
TEA - ESPECTRO AUTISTAVIDA ADULTADIAGNÓSTICO TARDIO
Sandra Roos
6/6/202612 min read


Síndrome da Hipermobilidade Articular e TEA: quando o corpo também conta uma parte da história
Muitas pessoas associam o autismo apenas a aspectos sociais, sensoriais, emocionais ou cognitivos. Mas, na prática clínica, é comum encontrar pessoas autistas — especialmente mulheres diagnosticadas tardiamente — que também relatam dores no corpo, fadiga, instabilidade articular, torções frequentes, alterações posturais, dificuldade de coordenação motora, desconfortos gastrointestinais, tonturas, sensação de “corpo frouxo” ou histórico de muita flexibilidade desde a infância.
Nos últimos anos, a relação entre Transtorno do Espectro Autista, hipermobilidade articular, Transtornos do Espectro da Hipermobilidade e Síndrome de Ehlers-Danlos tem recebido mais atenção na literatura científica. Uma revisão sistemática publicada em 2025 encontrou associação relevante entre autismo e hipermobilidade articular. A prevalência geral de hipermobilidade em pessoas autistas foi estimada em 22,3%, chegando a 31% quando considerados apenas estudos com avaliação clínica. Já a prevalência de HSD/SED em amostras autistas foi estimada em 27,9%, chegando a 39% em avaliações clínicas. Os próprios autores reforçam que ainda existe heterogeneidade entre os estudos e que mais pesquisas são necessárias, mas os dados apontam para uma associação que merece atenção clínica. Revisão sistemática de 2025 na Sage Journals
Isso não significa que toda pessoa autista tenha hipermobilidade, nem que toda pessoa hipermóvel seja autista. Mas significa que, quando esses sinais aparecem juntos, vale olhar com mais cuidado.
O que é hipermobilidade articular?
A hipermobilidade articular acontece quando uma ou mais articulações têm uma amplitude de movimento maior do que o esperado. Algumas pessoas são hipermóveis e não apresentam dor nem prejuízo funcional. Outras, porém, convivem com instabilidade articular, lesões frequentes, dor crônica, fadiga e sintomas em outros sistemas do corpo. A Ehlers-Danlos Society explica que a hipermobilidade pode vir acompanhada de instabilidade, favorecendo subluxações, luxações, entorses e outras lesões.
Atualmente, é importante diferenciar alguns termos:
Hipermobilidade articular
É a maior amplitude de movimento das articulações. Pode ser localizada, periférica ou generalizada, e pode ou não causar sintomas.
Transtornos do Espectro da Hipermobilidade — HSD
São condições em que a hipermobilidade articular vem acompanhada de sintomas como dor, instabilidade, lesões, fadiga, cefaleias, alterações gastrointestinais e disfunções autonômicas. Transtornos do Espectro da Hipermobilidade na Ehlers-Danlos Society
Síndrome de Ehlers-Danlos — SED ou EDS
É um grupo de condições hereditárias do tecido conjuntivo. Existem 13 tipos reconhecidos, com critérios diagnósticos específicos. Algumas características comuns entre os tipos incluem hipermobilidade articular, hiperextensibilidade da pele e fragilidade tecidual. Síndrome de Ehlers-Danlos na Ehlers-Danlos Society
Síndrome de Ehlers-Danlos hipermóvel — hEDS
É um dos quadros mais associados à hipermobilidade generalizada, dor, instabilidade articular, pele macia ou hiperextensível, hematomas fáceis, cicatrizes atróficas, hérnias, prolapsos, alterações dentárias, entre outros achados. Diferente de outros tipos de SED, ainda não há teste genético específico para confirmar hEDS; o diagnóstico é clínico. Critérios clínicos de hEDS no NCBI
Por que isso pode aparecer junto ao TEA?
Ainda não existe uma explicação única e definitiva. A hipótese mais aceita hoje é que exista uma sobreposição entre aspectos genéticos, neurodesenvolvimentais, sensoriais, autonômicos, motores e do tecido conjuntivo.
O tecido conjuntivo está presente em várias partes do corpo: articulações, pele, vasos sanguíneos, órgãos, músculos, fáscias e estruturas de sustentação. Quando há maior frouxidão ou fragilidade nesse sistema, a pessoa pode ter sintomas corporais que afetam diretamente seu funcionamento diário.
No TEA, por sua vez, também são comuns diferenças no processamento sensorial, na percepção corporal, na coordenação motora, na regulação emocional, no sono, na interocepção e na resposta ao estresse. Quando essas duas dimensões coexistem, a pessoa pode viver uma combinação complexa de:
dor + fadiga + sensibilidade sensorial + dificuldade de regulação + sobrecarga emocional + exaustão social
É por isso que, em muitos casos, a pessoa não está “somatizando”, “reclamando demais” ou “inventando sintomas”. Pode haver uma base corporal concreta que precisa ser investigada.


Sinais físicos que podem levantar suspeita de hipermobilidade
Alguns sinais, isoladamente, não fecham diagnóstico, mas podem indicar a necessidade de avaliação médica ou fisioterapêutica especializada.
1. Articulações muito flexíveis
A pessoa pode conseguir, ou já ter conseguido na infância:
• encostar as mãos inteiras no chão sem dobrar os joelhos
• dobrar o polegar até encostar no antebraço
• estender muito os cotovelos ou joelhos para trás
• abrir espacate com facilidade
• sentar em posições incomuns por muito tempo
• dobrar dedos, punhos, tornozelos ou ombros além do esperado
• ser chamada de “muito mole”, “dupla articulação” ou “contorcionista”
O escore de Beighton é uma ferramenta usada para triagem da hipermobilidade generalizada. Ele avalia alguns movimentos específicos, como extensão dos dedos mínimos, polegares, cotovelos, joelhos e flexão do tronco. A Ehlers-Danlos Society considera como ponto de corte: 6/9 em crianças pré-púberes, 5/9 em adultos até 50 anos e 4/9 em adultos acima de 50 anos. Escore de Beighton na Ehlers-Danlos Society
Mas atenção: o Beighton é uma ferramenta de triagem, não um diagnóstico completo. Ele não avalia todas as articulações importantes, como ombros, quadris, mandíbula, tornozelos e coluna. Por isso, uma pessoa pode ter sintomas importantes mesmo sem pontuar alto no Beighton.
2. Dores articulares ou musculares frequentes
A hipermobilidade pode gerar dor porque articulações instáveis exigem mais esforço muscular para manter o corpo organizado. A pessoa pode sentir:
• dor nos joelhos
• dor nos tornozelos
• dor lombar
• dor cervical
• dor nos ombros
• dor em punhos e dedos
• sensação de peso nas pernas
• dor após ficar muito tempo em pé
• dor após esforço aparentemente pequeno
• piora depois de exercício mal orientado
Em alguns casos, a pessoa passa anos ouvindo que precisa “fortalecer”, mas sem receber um plano adequado para instabilidade articular. O problema não é apenas “fraqueza”; pode ser falta de estabilidade, propriocepção prejudicada e sobrecarga crônica.
3. Entorses, luxações ou subluxações recorrentes
Um sinal importante é o histórico de articulações que “saem do lugar”, “quase saem”, “estalam”, “falseiam” ou parecem instáveis.
Isso pode acontecer em:
• tornozelos
• joelhos
• ombros
• quadris
• mandíbula
• dedos
• punhos
• patela
• coluna
Subluxações, luxações e lesões de tecidos moles são descritas como comuns no hEDS e podem ocorrer espontaneamente ou com traumas mínimos. Critérios clínicos de hEDS no NCBI
4. Pé plano, joanete e alterações nos dedos
Algumas pessoas com hipermobilidade apresentam:
• pé plano
• tornozelos que “caem” para dentro
• joanetes
• dedos dos pés mais flexíveis
• hiperextensão das falanges
• dor ao caminhar
• dificuldade com certos calçados
• sensação de instabilidade ao pisar
• maior tendência a torções
Essas alterações podem parecer apenas ortopédicas, mas em alguns casos fazem parte de um padrão corporal mais amplo de frouxidão ligamentar.
5. Pápulas piezogênicas no calcanhar
As pápulas piezogênicas são pequenas saliências que podem aparecer no calcanhar quando a pessoa apoia o peso do corpo. Elas ocorrem por herniação de gordura através do tecido conjuntivo. Não são exclusivas de SED ou HSD, mas aparecem nos critérios clínicos de hEDS como uma das características possíveis. Critérios clínicos de hEDS na Ehlers-Danlos Society
Muitas pessoas nunca ouviram falar disso e só percebem quando alguém mostra uma imagem ou quando um profissional examina.
6. Pele mais elástica, macia ou translúcida
Algumas pessoas apresentam pele mais macia, aveludada, elástica, fina ou translúcida, com veias mais visíveis. Também podem relatar:
• estrias sem grande variação de peso
• cicatrização lenta
• cicatrizes mais largas ou atróficas
• hematomas fáceis
• maior sensibilidade a curativos e adesivos
• marcas na pele com facilidade
• pele que “rasga” ou machuca com pequenos traumas
A hiperextensibilidade da pele e a fragilidade tecidual são características descritas nas síndromes de Ehlers-Danlos, embora variem bastante entre os tipos e entre as pessoas. Síndrome de Ehlers-Danlos na Ehlers-Danlos Society
7. Retração gengival, alterações dentárias e “triângulos negros”
Algumas pessoas com hipermobilidade ou alterações do tecido conjuntivo também relatam questões odontológicas, como:
• retração gengival
• dentes apinhados
• palato alto ou estreito
• maior sensibilidade gengival
• sangramentos
• necessidade de aparelho ortodôntico
• espaços escuros entre os dentes, chamados popularmente de “triângulos negros”
• maior desconforto em procedimentos odontológicos
No hEDS, alterações como apinhamento dentário e algumas características craniofaciais podem aparecer entre os achados clínicos descritos. Critérios clínicos de hEDS no NCBI
Aqui é importante tomar cuidado: retração gengival e triângulos negros também podem ocorrer por doença periodontal, escovação traumática, idade, perda óssea, movimentação ortodôntica e outros fatores. Portanto, não devem ser interpretados isoladamente como sinal de hipermobilidade.
8. Sinais como Steinberg e Walker-Murdoch
Algumas avaliações médicas observam sinais como:
Sinal de Steinberg
Quando o polegar, ao ser dobrado para dentro da mão fechada, ultrapassa a borda da palma.
Sinal de Walker-Murdoch
Quando o polegar e o dedo mínimo se sobrepõem ao envolver o punho oposto.
Esses sinais podem sugerir características corporais marfanoides ou alterações do tecido conjuntivo. Eles não servem para diagnóstico isolado, mas podem indicar necessidade de avaliação médica, especialmente quando aparecem junto de outros sinais como hipermobilidade, dor, histórico familiar, alterações cardíacas, alterações oculares ou grande estatura com membros longos.
9. Acrogeria e aparência envelhecida nas extremidades
Acrogeria é uma aparência de pele mais fina, enrugada ou envelhecida nas mãos e nos pés. Pode aparecer em alguns transtornos do tecido conjuntivo, mas não deve ser usada como critério isolado em postagens leigas, porque pode ter diferentes causas e precisa de avaliação clínica cuidadosa.
Esse é um bom exemplo de sinal que pode aparecer em conteúdos de internet, mas que precisa ser contextualizado. Nem todo sinal visual indica uma síndrome. O conjunto da história clínica é muito mais importante.


Sintomas não articulares que também podem aparecer
A hipermobilidade sintomática não se limita às articulações. Muitas pessoas relatam sintomas em outros sistemas, como:
• fadiga intensa
• sono não reparador
• dores de cabeça
• tontura ao levantar
• sensação de desmaio
• palpitações
• intolerância ao calor
• desconfortos gastrointestinais
• refluxo
• constipação ou diarreia
• náuseas
• bexiga sensível
• cólicas intensas
• dor pélvica
• ansiedade fisiológica
• sensação de corpo sempre em alerta
A Ehlers-Danlos Society descreve que, nos Transtornos do Espectro da Hipermobilidade, podem ocorrer fadiga, cefaleias, problemas gastrointestinais e disfunção autonômica, além de dor, instabilidade e lesões. Transtornos do Espectro da Hipermobilidade na Ehlers-Danlos Society
Isso é clinicamente importante porque muitas pessoas chegam à psicoterapia com queixas de ansiedade, exaustão, irritabilidade, crises de choro, dificuldade de concentração ou sensação de colapso — e parte desse quadro pode estar sendo agravado por dor crônica, sono ruim, disautonomia, sobrecarga sensorial ou fadiga corporal.


E qual a relação com mulheres autistas diagnosticadas tardiamente?
Na prática clínica, muitas mulheres autistas chegam ao diagnóstico depois de anos tentando compensar dificuldades sociais, sensoriais e executivas. Muitas também aprenderam a ignorar sinais do próprio corpo.
Isso pode acontecer por vários motivos:
• mascaramento social intenso
• dificuldade de reconhecer limites corporais
• tendência a funcionar no “modo esforço”
• histórico de invalidação médica
• sintomas atribuídos apenas à ansiedade
• dor crônica normalizada desde cedo
• dificuldade de interocepção
• sobrecarga sensorial confundida com “frescura”
• exaustão interpretada como preguiça ou desmotivação
Quando existe hipermobilidade associada, a pessoa pode passar a vida tentando se adaptar a um corpo que exige mais energia para tarefas aparentemente simples.
Ficar sentada, escrever, dirigir, caminhar, permanecer em pé, fazer exercício, arrumar a casa, trabalhar em frente ao computador ou socializar por muitas horas pode ter um custo físico muito maior do que parece de fora.
Hipermobilidade pode ser confundida com ansiedade?
Pode, especialmente quando há sintomas autonômicos.
Algumas pessoas relatam taquicardia, tremores, tontura, náusea, falta de ar, sensação de fraqueza, sudorese, intolerância ao calor ou sensação de desmaio. Esses sintomas podem parecer crise de ansiedade, mas em alguns casos estão relacionados a alterações do sistema nervoso autônomo, dor, fadiga ou instabilidade corporal.
Isso não significa que a pessoa não tenha ansiedade. Significa que nem tudo deve ser interpretado automaticamente como emocional.
Uma avaliação cuidadosa precisa considerar o corpo inteiro.
Como isso impacta a vida emocional?
Viver com dor, instabilidade e fadiga sem explicação pode gerar sofrimento psicológico importante.
A pessoa pode desenvolver:
• medo de se machucar
• evitação de atividades físicas
• sensação de fragilidade
• irritabilidade
• baixa autoestima
• vergonha do próprio corpo
• culpa por não acompanhar o ritmo dos outros
• exaustão constante
• ansiedade antecipatória
• desânimo
• sensação de ser “difícil” ou “problemática”
Em pessoas autistas, isso pode se somar à sobrecarga sensorial, às demandas sociais e às dificuldades de regulação emocional. O resultado pode ser um quadro de esgotamento intenso, muitas vezes interpretado apenas como depressão, ansiedade ou burnout.


Como a hipermobilidade é avaliada?
A avaliação costuma envolver uma combinação de:
• história clínica detalhada
• histórico familiar
• exame físico
• escore de Beighton
• questionários de hipermobilidade
• avaliação de dor e funcionalidade
• investigação de sinais cutâneos, articulares, gastrointestinais, cardiovasculares e autonômicos
• exclusão de outras condições reumatológicas, genéticas ou neurológicas
A AAFP recomenda suspeitar de hEDS/HSD quando há hipermobilidade articular associada a dor, luxações, achados típicos de pele, artralgias, hérnias recorrentes, hábito corporal marfanoide ou histórico familiar. Também recomenda avaliar a hipermobilidade com o escore de Beighton e um questionário validado de cinco partes. Artigo da AAFP sobre hEDS e HSD
O questionário de cinco partes pode incluir perguntas como:
• Você consegue ou já conseguiu colocar as mãos espalmadas no chão sem dobrar os joelhos?
• Você consegue ou já conseguiu dobrar o polegar até tocar o antebraço?
• Quando criança, fazia contorções, abria espacate ou divertia os outros com posições incomuns?
• Já teve ombro ou patela deslocando mais de uma vez?
• Você se considera uma pessoa “dupla articulação”?
Responder “sim” a duas ou mais perguntas pode sugerir hipermobilidade e justificar uma avaliação mais detalhada. Ferramenta EDS GP
Quem pode diagnosticar?
O diagnóstico deve ser feito por profissional médico, geralmente com participação de reumatologista, geneticista, ortopedista, fisiatra ou outro especialista familiarizado com transtornos do tecido conjuntivo. Fisioterapeutas especializados também podem contribuir muito na avaliação funcional e no manejo da instabilidade, embora o diagnóstico médico continue sendo importante.
No caso de pessoas autistas, o ideal é que o cuidado seja integrado, considerando corpo, regulação emocional, dor, sono, energia, sensorialidade e rotina.
O que pode ajudar no manejo?
O tratamento depende dos sintomas, mas pode envolver:
• fisioterapia especializada em hipermobilidade
• fortalecimento progressivo e seguro
• treino proprioceptivo
• estabilização articular
• orientação sobre postura e ergonomia
• órteses ou palmilhas quando indicadas
• manejo da dor
• cuidado com sono e fadiga
• hidratação e orientação médica em casos de sintomas autonômicos
• acompanhamento odontológico quando há alterações gengivais ou dentárias
• acompanhamento psicológico quando há impacto emocional, ansiedade, trauma médico, burnout ou dificuldade de adaptação
A literatura clínica aponta que pessoas com hEDS/HSD podem se beneficiar de cuidado multidisciplinar, incluindo fisioterapia, terapia ocupacional, suporte psicológico e estratégias de autocuidado. Artigo da AAFP sobre hEDS e HSD
O que evitar?
Alguns cuidados são importantes:
• não forçar alongamentos extremos
• não transformar flexibilidade em “prova” ou brincadeira
• evitar exercícios de alto impacto sem orientação
• não ignorar dor persistente
• não tratar tudo como ansiedade
• não usar vídeos de internet como diagnóstico
• não comparar corpos
• não minimizar sintomas porque “sempre foi assim”
Uma pessoa hipermóvel pode parecer flexível, mas isso não significa que seu corpo esteja protegido. Muitas vezes, é justamente o contrário: há maior necessidade de estabilidade, controle motor e fortalecimento cuidadoso.
Quando procurar avaliação?
Vale procurar avaliação quando a hipermobilidade vem acompanhada de:
• dor frequente
• fadiga intensa
• entorses recorrentes
• luxações ou subluxações
• sensação de articulações instáveis
• tontura frequente
• palpitações
• desmaios
• problemas gastrointestinais persistentes
• pele muito fina, elástica ou frágil
• cicatrização ruim
• hematomas fáceis
• histórico familiar semelhante
• impacto importante na rotina
Também é importante buscar avaliação se a pessoa autista apresenta muitas queixas corporais sem explicação clara, principalmente quando há histórico desde a infância de flexibilidade excessiva, quedas, descoordenação, dores ou exaustão física.
Conclusão
A relação entre TEA e hipermobilidade ainda está sendo estudada, mas já existem evidências suficientes para que profissionais de saúde, psicólogos, familiares e pessoas autistas olhem para esse tema com mais atenção.
Para muitas pessoas, descobrir a hipermobilidade não é “ganhar mais um diagnóstico”. É finalmente encontrar uma explicação para dores, fadiga, instabilidade e limitações que foram ignoradas por anos.
O corpo também conta a história da pessoa.
E, em muitos casos, compreender essa história pode reduzir culpa, melhorar o autocuidado e orientar encaminhamentos mais adequados.
Informação não substitui avaliação profissional, mas pode ser o primeiro passo para que a pessoa pare de achar que está exagerando e comece a investigar o que realmente acontece com seu corpo.
Os sinais descritos aqui não servem para autodiagnóstico. Eles são pistas clínicas. Hipermobilidade, HSD e Síndrome de Ehlers-Danlos precisam ser avaliadas por profissionais habilitados, considerando história clínica, exame físico, sintomas associados e exclusão de outras condições.
Fontes consultadas:
•Revisão sistemática de 2025 na Sage Journals: https://journals.sagepub.com/
• The Ehlers-Danlos Society — hipermobilidade, HSD, SED, escore de Beighton e critérios clínicos: https://www.ehlers-danlos.com/
• Critérios clínicos de hEDS no NCBI: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/
• Artigo da AAFP sobre hEDS e HSD: https://www.aafp.org/
• Ferramenta EDS GP: https://gptoolkit.ehlers-danlos.org/
Psicóloga Sandra Roos
Atendimento especializado em saúde mental e neurodiversidade.
Contato
(12) 98112-7285
© 2026 Todos os direitos reservados Sandra Roos
